Resenha: "Bonsai", Alejandro Zambra


Bonsai

Autor: Alejandro Zambra
Editora: Cosac Naify
Gênero: Literatura Chilena
Páginas: 96
Ano: 2012
Sinopse: Bonsai é a história de um amor, o de Julio e Emilia, e é a história do fim deste amor. É também uma história sobre a consciência do fim. E não apenas para Emilia e Julio, “jovens tristes que leem romances juntos, que acordam com livros perdidos entre as cobertas”, mas para nós, leitores, que na primeira linha desta história falsamente simples recebemos a notícia: “No final ela morre e ele fica sozinho”. Romance de estreia do chileno Alejandro Zambra (1975), Bonsai coloca em cena dois estudantes de Letras, suas leituras, encontros e desencontros. Com cortes precisos e apurado sentido formal, Zambra -- eleito pela revista britânica Granta como um dos vinte e dois melhores jovens escritores hispanoamericanos -- faz a trama avançar como se cultivasse um bonsai. Traduzido em dez países, entre eles França, Itália, China, Israel, Estados Unidos e Japão, Bonsai ganhou o Prêmio da Crítica e o Prêmio do Conselho Nacional do Livro como melhor romance de 2006 em seu país.

No final ela morre e ele fica sozinho, ainda que na verdade ele já tivesse ficado sozinho muitos anos antes da morte dela, de Emília.Digamos que ela se chama ou se chamava Emília e que ele se chama, se chamava e continua se chamando Julio. Julio e Emília. No final, Emília morre e Julio não morre. O resto é literatura. 

O mais legal desse livro é que logo no começo, o autor deixa bem claro que a mocinha morre e o mocinho fica sozinho. Quebrando de cara, qualquer expectativa de um final feliz. O que na verdade, me deixou bem curiosa pra saber o que ocorreu antes do fim.

O livro conta a história de Julio e Emília. Ambos, estudantes de Letras, que acabam se conhecendo "profundamente", quando se encontram pra estudar na casa de uma amiga em comum, uma matéria que todos acham que vão se dar mal. Porém, tudo rola - desde uísque a suco de laranja -,  menos os estudos. E, é no meio dessa bagunça disfarçada de estudos, que Julio e Emília se envolvem e começam a ter uma relação sexual extremamente peculiar. Após mentirem um para o outro sobre já terem lido "Em busca do tempo perdido", de Marcel Proust, antes de cada transa, eles liam um livro, às vezes em voz alta ou até mesmo sussurrando para "aquecer" a relação.
Até que eles leem "Tantalia", um conto de Macedonio Fernández, que afetou e mudou completamente a relação deles.

A extravagância de Julio e Emília não eram apenas sexuais (que existiam), nem emocionais (que eram muitas), mas também, digamos, literárias. 


Sabe quando você aleatoriamente acha uma obra que te surpreende? Então, foi isso que aconteceu comigo quando encotrei "Bonsai".
Tinha acabo um livro no dia anterior e fiquei meio que perdida na maionese, sabe aquela sensação de estar presa ainda no livro, tipo ressaca... Ai pensei, "Preciso de um livro leve e rápido, de preferência com umas 100 páginas, de boa, pra ler em um dia...", foi então que joguei quase isso no google e olhei um site aqui e outro ali e acabei me interessando pela sinopse e pela nomenclatura do livro e pensei na hora "Aeeeeee, é esse!!!", comecei na hora e fiquei completamente anestesiada.
O livro é narrado em terceira pessoa e é absurdamente curto (poderia até ser um conto de tão pequeno, mas é livro... ok, né).
Além de contar como Julio e Emília se conheceram, conta também o que aconteceu depois deles se relacionarem, envolvendo no meio disso tudo os personagem secundários. O que achei incrível no autor, foi que mesmo com poucas páginas ele conseguiu criar um enredo com personagens que se encaixam um ao outro, criando uma história super envolvente, que faz você querer ler até o final.

Pensa nela mesma, um dia, triste, mais desesperada do que agora. Pensa numa casa no Chile, em Santiago do Chile, num jardim dessa casa.
Um jardim sem flores e sem árvores que no entanto tem direito - pensa - de ser chamado de jardim, pois é um jardim, sem dúvida é um jardim.

Um dos pontos positivos do livro,  é que você consegue ler em uma ou duas horas ou até menos. O mais legal de tudo, que conforme eu ia lendo, parecia uma conversa, sabe?! Como se o  autor estive conversando comigo.
Como o livro é meio pequeno, o autor é bem objetivo e meio impessoal. Quem acompanha as minhas resenhas, sabe que eu sou meio chata e amo detalhes, porém a atmosfera que Zambra traz é completamente diferente. O autor não traz detalhes, eu não faço a minima ideia de como são os personagens, a não ser por ele citar que Emília tem os cabelos curtos e pretos. E, de certa forma, o livro não contém detalhes e características físicas, mas sim, um texto mais sentimental. Você consegue sentir que tem um toque mais poético e profundo.

Esta é, então, uma história leve que se torna pesada. Esta é a história de dois estudantes devotados à verdade, a dispersar frases que parecem verdadeiras, a fumar cigarros eternos e a se fechar na violenta complacência dos que se creem melhores, mais puros do que o resto, do que esse imenso e desprezível grupo que chamam de o resto.

O que me deixou bastante curiosa também, foi o nome do livro, "Bonsai". Claro que eu fui "googlar".
Eu não conhecia, não fazia ideia (desculpe, pela minha ignorância), que "Bonsai" é uma planta de origem japonesa, que é tipo uma "árvore no vaso" em miniatura. É uma replica realista, imitando os padrões originais. E, para você entender o simbolismo por trás do titulo, só lendo mesmo. Na verdade, acho que vai da interpretação de cada pessoa. Ao meu ver, representa a arte de saber cuidar e viver a vida.

Cuidar de um bonsai é como escrever, pensa Julio. Escrever é como cuidar de um bonsai, pensa Julio.

Quero terminar a história de Julio, mas a história de Julio não termina, o problema é esse.

Ao finalizar a leitura, confesso que fiquei curiosa para saber o que aconteceu depois do fim de Julio. Fiquei pensando, imaginando e idealizando coisas sobre ele... Estranho, porém gostei da sensação.
Enfim, "Bonsai" é um livro que fará você pensar e refletir sobre a vida. Pra você que quer uma leitura rápida, profunda e com uma narrativa inteligente, recomendo que você leia e se delicie. Além, claro, de acabar descobrindo (como eu haha) que a literatura chilena tem muito a oferecer!





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